Ecocardiografia Fetal – O mistério do Golf Ball

Golf Ball é o termo atribuído ao foco ecogênico intracardíaco observado na ultrassonografia obstétrica.  É uma estrutura pequena, arredondada, aderida ao músculo papilar ou às cordoalhas das valvas mitral e tricúspide, com ecogenicidade semelhante à do osso.  Sua primeira descrição decorre de 1987 com relato de foco ecogênico no interior do ventrículo esquerdo.  Provavelmente consiste numa variação normal do desenvolvimento do músculo papilar porém sua etiologia ainda é incerta.

O Golf Ball se localiza mais frequentemente no ventrículo esquerdo (90%), podendo ser visualizado também no ventrículo direito ou bilateralmente.

É observado entre 0,5 e 20% dos fetos com freqüência média de 5,6%.

Isoladamente não é considerado fator de risco.  Estudos recentes não evidenciaram associação de Golf Ball isolado com aneuploidias em gestações de baixo risco.  Também não foi comprovado associação com defeitos cardíacos pré ou pós-natais.  Porém quando associado a outras alterações morfológicas como translucência nucal elevada, cisto do plexo coróide, hiperecogenicidade intestinal, ossos curtos, pieloectasia renal, pode ser considerado marcador adicional para aneuploidias fetais como trissomia 21 (síndrome de Down) e trissomia 13 (síndrome de Patau).

A mais recente meta-análise sobre esse tema foi publicada esse ano (2017) por um grupo da Espanha, avaliando 25 estudos.  A freqüência de foco ecogênico variou de 0,5 a 20% da população estudada sendo verificado entre 4 e 5% dos fetos cromossomicamente normais e entre 11 e 18% dos fetos com síndrome de Down.  Não foi demonstrada associação de Golf Ball isolado com aneuploidias em gestações de baixo risco.

A ecocardiografia fetal é recomendada para avaliação do Golf Ball com objetivo de avaliação estrutural e funcional do coração.  É importante o reconhecimento do foco ecogênico e sua diferenciação com outras anomalias intra-cardíacas como tumores e fibroelastose endocárdica.

 Artigo escrito pela Dra. Vanessa Canuto, responsável pelo curso de Ecocardiografia Fetal, da UNIECO.

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Deiscência de bioprótese aórtica + abscesso em via de saída + endocardite

Feminimo, 23 anos, antecedentes de cirurgia cardíaca, internada em UTI com quadro de edema agudo de pulmão, febre, choque séptico, piúria, necessitando ventilação assistida.


Corte paraesternal longitudinal do VE.


Corte apical 4 câmaras.


Corte supraesternal.

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Fluxo reverso em aorta abdominal.

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Bioprótese aórtica-achado intraoperatório.

Paciente foi submetida a cirurgia cardíaca, ocorrendo óbito durante a CEC.

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Doença arterial coronariana – discinesia apical + strain


Corte apical 4 câmaras evidenciando discinesia da região apical.


Corte apical 4 câmaras evidenciando diminuição do strain na região apical.


Corte apical 2 câmaras.


Corte apical 2 câmaras.

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Strain longitudinal global = – 10%.

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Defeito do septo átrio ventricular – forma total (Tipo C de Rastelli) + isomerismo esquerdo

Masculino, 6 anos, episódios de broncopneumonias de repetição.


Corte paraesternal – eixo longitudinal do ventrículo esquerdo, evidenciando alongamento da via de saída e dilatação do seio coronário.

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via de saída > via de entrada (“goose neck”)


Corte paraesternal – eixo curto do ventrículo esquerdo – cleft da válvula mitral.


Corte subcostal – veias pulmonares drenando em átrio esquerdo.


Corte apical de quatro câmaras – CIV de via de entrada + CIA tipo ostium primum + valva átrio ventricular única ancorada em músculos papilares de ambos os ventrículos.

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Apêndices atriais semelhantes e com anatomia esquerda.

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Vasos à esquerda da coluna – lugar da cava inferior (porção intra hepática interrompida) – ázigos ou hemiázigos.

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Oclusão isolada de coronária direita com formação de extenso aneurisma/pseudoaneurisma + CIV

Paciente masculino, 60 anos, tabagista, diabético, renal crônico, portador de gota, deu entrada com quadro de insuficiência cardíaca, apresentando infarto sem supra de ST. Cate: oclusão total de coronária direita no terço proximal e demais coronárias com discretas irregularidades parietais.


Corte longitudinal paraesternal do ventrículo esquerdo – acinesia do segmento basal da parede infero-lateral.


Corte transversal paraesternal do ventrículo esquerdo ao nível médio – observa-se aumento da refringência + discinesia entre seis e oito horas (ínfero-lateral e inferior).


Corte paraesternal intermediário entre eixos longo e curto do ventrículo esquerdo – fluxo sistólico esquerda-direita através de provável CIV


Corte transversal paraesternal do ventrículo esquerdo ao nível basal – extensa dilatação envolvendo segmentos basais das paredes inferior, infero-lateral e septo inferior.


Corte apical quatro câmaras – evidenciando discinesia do segmento basal do septo inferior.


Corte apical duas câmaras – evidenciando discinesia do segmento basal da parede inferior.


Corte apical quatro câmaras posteriorizado do ventrículo esquerdo – presença de pertuito com passagem de fluxo bidirecional (CIV? Pseudoaneurisma?).

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Bioprótese mitral associada a endocardite bacteriana

Paciente feminina, 64 anos, cirurgia de troca valvar mitral há 15 anos. Evoluiu com dispnéia progressiva há 2 meses, sendo internada com quadro de edema agudo de pulmão e febre.


ETT – Corte paraesternal eixo longo – prótese biológica mitral evidenciando calcificação importante em seus folhetos.


ETT – Corte apical quatro câmaras – prótese biológica mitral evidenciando calcificação importante de folhetos com restrição à sua incursão diastólica.


ETE – Corte longitudinal do ventrículo esquerdo evidenciando acentuada calcificação dos folhetos e presença de ecos filamentares protuindo para o interior do átrio esquerdo durante a sístole (prováveis vegetações).


ETE – Corte longitudinal duas câmaras evidenciando fechamento cirúrgico do apêndice atrial esquerdo (não visualização do óstio) e presença de massa ecogênica no seu interior sugestiva de trombo. À direita observa-se o recesso da veia pulmonar superior esquerda (fluxo vermelho).

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Miocardiopatia hipertrófica apical (Doença de Yamaguchi)

Paciente masculino, 66 anos, assintomático.


ETT – Corte longitudinal paraesternal evidenciando mal posicionamento de músculos papilares.


ETT – Corte apical quatro câmaras.


ETT – Corte apical quatro câmaras: mapeamento a cores evidencia discreto fluxo turbulento emergindo da região apical.


ETT – Corte apical duas câmaras. Observar a hipertrofia envolvendo a região apical.


ETT – Corte apical duas câmaras: mapeamento a cores evidencia discreto fluxo turbulento emergindo da região apical.

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Doppler contínuo demonstrando gradiente = 25 mmHg ao nível apical.

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ECG com sinais de hipertrofia ventricular esquerda.

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Persistência do canal arterial em criança de 5 anos

Persistência do canal arterial em criança de 5 anos de idade, sexo feminino, assintomática e praticamente sem ausculta significativa.


ETT – Corte paraesternal longitudinal evidenciando falsa corda ao nível médio ventricular.


ETT – Corte paraesternal transversal ao nível dos vasos da base evidenciando fluxo turbulento contínuo adjacente a parede lateral do tronco da pulmonar e proveniente da aorta descendente. Notar o refluxo pulmonar ao nível do anel.

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Mixoma do átrio esquerdo

Mulher, 82 anos, com desenvolvimento súbito de edema agudo de pulmão.


ETT – Corte paraesternal longitudinal mostrando massa homogênea com limites bem definidos prolapsando para o ventrículo esquerdo na diástole.


ETT – Corte apical de duas câmaras.


ETE – Corte transversal ao nível dos vasos da base demonstrando massa aderida ao septo atrial.


ETE – Corte transgástrico longitudinal do ventrículo esquerdo.

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Coarctação de aorta associada a valva aórtica bicúspide em paciente assintomático de 52 anos

Paciente masculino, 52 anos, assintomático. Ao exame:
AC: sopro sistólico 2+/6+ em foco aórtico acessório irradiando para a fúrcula e vasos do pescoço. PA=120×80 mmHg. Pulsos pediosos palpáveis bilateralmente 3+/4+.

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ETT- Corte paraesternal ao nível de vasos da base: valva aórtica bicúspide


ETT- Corte paraesternal ao nível de vasos da base: valva aórtica bicúspide sem calcificação ou evidências de estenose e sem refluxo para VSVE ao mapeamento a cores


ETT- Corte supraesternal: observa-se dilatação em ramo descendente da aorta após a emergência da artéria subclávia esquerda e estreitamento do lúmen vascular com fluxo turbulento

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ETT- Corte supraesternal: estreitamento do lúmen vascular (seta)

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ETT- Corte supraesternal: gradiente pico = 10,84 mmHg ao nível do estreitamento luminar

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