Strain Bidimensional

Strain bidimensional das paredes do ventrículo esquerdo na forma indeterminada da doença de Chagas.

Divisor Escola Unieco

Definição da Forma Indeterminada pelo Consenso Brasileiro sobre Doença de Chagas

 

  • Indivíduos soro-positivos (ou exame parasitológico positivo para T. Cruzi);
  • Assintomáticos;
  • Eletrocardiograma de repouso normal;
  • Estudo radiológico de tórax normal;
  • Estudo radiológico do esôfago normal;
  • Estudo radiológico do colon normal.

 

“Não são necessários outros exames complementares para a classificação do portador da forma indeterminada”

 

Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical. Vol. 38, Supl. 3, 2005. Item 4, Diagnóstico e manejo da forma indeterminada da doença de Chagas.

 

  • Incidência da forma indeterminada: 50-69% dos casos registrados;
  • Distribuição geográfica: desde a Baixa Califórnia até a Patagônia;
  • Vários agentes transmissores;
    • Triatoma infestans;
    • Panstrongylus megistus;
    • Rhodnius prolixus;
    • Triatoma dimidiata;
    • Triatoma pallidipennis;
  • Trabalhos com DT demonstram alterações segmentares diastólicas e sistólicas.

 

Fonte: http://www.who.int/topics/chagas_disease/en/

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Objetivo

  • Analisar, com a utilização do strain bidimensional (X-strain), os gradientes de velocidade intramiocárdica em pacientes portadores da forma indeterminada da doença de Chagas;
  • Finalidade: detectar precocemente alterações da contratilidade regional;
  • Comparar os resultados com os de indivíduos normais.

 

Material

  • 40 pacientes portadores da forma indeterminada da doença de Chagas;
    • 26 do sexo masculino;
    • 14 do sexo feminino;
    • Média etária 55 anos (desvio-padrão: 10 anos);
  • Controle: 10 indivíduos sadios;
    • 7 do sexo masculino;
    • 3 do sexo feminino;
    • Média etária 48 anos (desvio-padrão: 9 anos);
  • Critérios de exclusão;
    • Alterações do ECG ou arritmias;
    • Alterações segmentares da contratilidade;
    • Disfunção sistólica;
    • Disfunção diastólica grau 2 ou 3;
    • Valvopatias e pericardiopatias.

 

Métodos

  • Eco modo M: dimensões das cavidades (VE, paredes, aorta, átrio esquerdo);
  • Eco 2D: fração de ejeção (Simpson bip), avaliação segmentar;
  • Doppler convencional: fluxos intracavitários e transvalvares;
    • Onda E mitral;
    • Onda A mitral;
    • Relação E/A;
    • Fluxo de veias pulmonares;
    • Duração da onda A mitral / duração do fluxo reverso atrial;
  • Strain 2D: gradientes de velocidade longitudinal (strain e strain rate);
    • Parede antero-septal;
    • Parede infero-lateral basal, média e apical;
  • Modo M curvado e curvas de velocidade.

 

Resultados

Parâmetros do Ecocardiograma e Doppler convencionais.

 

GrupoSexo Idade
(anos)
DdVE
(mm)
FE
(%)
DAE
(mm)
Fx Mi Rel E/A
FxVP S
(cm/s)
FxVP D (cm/s)
DurE/ DurRev
NLM = 7 X
48,04
50,36
59,25
34,82
1,16
0,48
0,42
1,12
F = 3sX9,13
5,12
4,47
3,21
0,19
0,11
0,11
0,90
CFIM = 26X55,01
51,16
58,47
33,44
1,14
0,51
0,48
1,10
F = 14sX10,02
4,36
5,02
3,98
0,21
0,120,13
0,95
Teste de TT-2,000
0,501
0,448
1,015
0,274
-0,718
-1,342
0,060
P0,051
0,618
0,656
0,315
0,785
0,476
0,186
0,952

 

Parâmetros do strain bidimensional (X-strain).

 

GrupoFC
(bpm)
Strain Septo
(%)
S-R Septo (s-1)
Strain Parede (%)
S-R parede (s-1)
BasalMedioApicalBasalMedioApical
NL
n = 10
X
sX
65,20
9,21
-27,57
6,69
-1,87
0,53
-24,45
6,11
-25,76
6,41
-25,80
7,20
-1,71
0,46
-1,73
0,51
-1,94
0,59
CFI
n = 40
X
sX
67,35
10,12
-29,52
5,48
-1,76
0,55
-24,34
5,98
-23,08
6,01
-21,46
6,25
-1,68
0,52
-1,08
0,56
-0,98
0,60
Teste de t
X
sX
-0,696
0,490
-0,963
0,340
0,570
0,572
0,052
0,959
1,245
0,219
1,906
0,063
0,167
0,868
3,337
0,002
4,540
0,000

 

Strain bidimensional das paredes do ventrículo esquerdo na forma indeterminada da doença de Chagas

 

 NL
n = 10
CFI-1
n = 19
CFI-2
n = 21
Septo
-27,57
-29,93
-29,12
Parede basal
-24,45
-27,03
-21,65
Parede média
-25,76
-29,76
-16,40
Parede apical
-25,80
-27,92
-15,01

 

Parâmetros do strain bidimensional com valor de corte de 22,50%

 

GrupoStrain Septo
(%)
S-R Septo (s-1)
Strain Parede (%)
S-R parede (s-1)
BasalMedioApicalBasalMedioApical
NL
n = 10
X
sX
-27,57
6,69
-1,87
0,53
-24,45
6,11
-25,76
6,41
-25,80
7,20
-1,71
0,46
-1,73
0,51
-1,94
0,59
CFI-1
n = 19
X
sX
-29,93
5,42
-1,78
0,57
-27,03
5,65
-29,76
6,22
-27,92
6,12
-1,70
0,55
-1,68
0,66
-1,69
0,63
CFI-2
n = 21
X
sX
-29,12
5,54
-1,67
0,61
-21,65
5,67
-16,40
5,55
-15,01
6,13
-1,52
0,50
-0,99
0,53
-0,85
0,61
ANOVA
F
p
0,55
0,578
0,44
0,647
4,37
0,018
25,89
0,000
22,80
0,000
0,78
0,464
9,09
0,000
14,40
0,000

 

Doppler tissular: Recentes publicações tem demonstrado que alguns casos, antes considerados indeterminados, apresentam alterações incipientes, tanto da contratilidade como do relaxamento.

 

Strain bidimensional das paredes do ventrículo esquerdo na forma indeterminada da doença de Chagas

 

VariávelChagasNormalp
S-inferior (cm/s)
6,28 ± 0,98
7,38 ± 1,21
0,0006
E-inferior (cm/s)
10,78 ± 2,35
13,72 ± 1,99
0,0001
A-inferior (cm/s)
7,04 ± 2,03
5,82 ± 1,51
0,0146
A-inferior1,70 ± 0,74
2,62 ± 1,12
0,0007
TRIV-inferior (ms)
72,67 ± 20,26
50,54 ± 15,09
0,0001
Herszkowicz N. Tese de Doutoramento. USP, 2002

 

Strain com Doppler tissular

 

PAREDENORMALCHAGAS F.I.
Septo basal
32,0
35,0
Septo medial
32,0
32,0
Posterior basal
42,038,0
Posterior medial
32,015,0

 

Strain bidimensional das paredes do ventrículo esquerdo na forma indeterminada da doença de Chagas

 

Carlos Eduardo Suaide Silva, Arq. Bras. Cardiol. 2004, 84 (4):286-291

 

Strain bidimensional das paredes do ventrículo esquerdo na forma indeterminada da doença de Chagas

 

Strain bidimensional das paredes do ventrículo esquerdo na forma indeterminada da doença de Chagas

 

Strain bidimensional das paredes do ventrículo esquerdo na forma indeterminada da doença de Chagas

 

Strain bidimensional das paredes do ventrículo esquerdo na forma indeterminada da doença de Chagas

 

Conclusões

 

A análise de pacientes portadores da forma indeterminada da doença de Chagas estudados com strain bidimensional (X-strain) evidenciou:

 

  • O strain 2D permitiu separar, dentre os pacientes com forma indeterminada da doença de Chagas, um grupo com alterações regionais da contratilidade, não detectado pela clínica ou pela ecocardiografia convencional;
  • As alterações, manifestadas como diminuição da deformação e da taxa de deformação, localizavam-se preferencialmente nas regiões média e apical da parede ínfero-lateral;
  • Este fato pode ser importante para a evolução dos pacientes, os quais tem de ser observados cuidadosamente pela possibilidade de evoluir para a forma cardíaca da doença (embora sejam necessários estudos prospectivos para validar esta hipótese);
  • O strain bidimensional é uma ferramenta diagnóstica sensível para detectar alterações subliminares da contratilidade regional ventricular.

Créditos

Divisor Escola Unieco

José Maria Del Castillo, Nathan Herskowicz, Leonardo Carlos G. Rêgo, Yona de Assis S. da Silva, Daniele Roswell C. Moro, Ana Paula Maia, Antonio Sabino Filho, Marcelo Duaste S. Cortese, Thiago Boschilia, Rachel Luz Capuano.

 

Agradecemos à Dra. Astrid Santos, do Hospital de Messejana de Fortaleza, CE, pelo envio de parte dos pacientes que fizeram possível a realização deste trabalho.